carteira de trabalho, 2020, arte digital

 

 


 

4 procura-se um emprego, uma outra face da transfobia 

Não há razão para as pessoas serem excluídas por sua identidade de gênero, que não seja a transfobia. 

Primeiro, é necessário para além de falas que alocam pessoas cisgêneras enquanto não-transfóbicas, executar formas reais de diminuição de danos e manutenção de vida para essas pessoas. Essas formas são de empregabilidade enquanto método de sobrevivência dentro da forma de sistema que nosso mundo executa. 

É necessário ressaltar que, muito para além de reproduzir a lógica “diversidade” do mercado, que de forma problemática apenas viabiliza (sobretudo para pessoas brancas) formas de trabalho em datas específicas, veja, há um enorme problema aqui. o problema se dá com uma falsa ilusão de inclusão, e uma descarada forma de fetichização que reduz pessoas a datas e espaços, pois é necessário lembrar que não se vive apenas 3/4 dias do ano. 

Sem leis representativas que certifiquem espaço no mercado de trabalho, transexuais e travestis, sobretudo negras, dependem de iniciativas limitadas, que praticamente são inexistentes. Evidencio que 90% das pessoas transexuais se dirigem à prostituição, segundo pesquisa feita pela (Antra), em 2017; 65% das transexuais assassinadas eram profissionais do sexo e 60% foram executadas nas ruas.  O genocídio que se direciona a essa população alinhada a vulnerabilidade dessas pessoas ao trabalharem na prostituição, locais, formas de relação que tornam mais possíveis a violência física latente no brasil. 

Discutir transexualidade e negritude é também falar sobre o genocídio da população negra Brasileira, visto que mais de 80% das travestis e transexuais assassinadas são negras. 

obs: esse texto não é uma crítica a prostituição, e sim essa esfera sendo quase determinante para pessoas que carregar esse tipo de marcador.