TEXTOS E ENTREVISTAS

Guilhermina Augusti

Textos e entrevistas

Crítica, curadoria e conversas · 2021–2024

Textos sobre a obra


2022

Aline Albuquerque

Canto de sombra, sementes de por vir · catálogo do 8º Prêmio Artes Tomie Ohtake · sobre a bandeira Atravecar / Escurecer

“A geometria é uma linguagem espiritual, uma tecnologia ancestral, propõe enigmas a serem decifrados para a compreensão do pensamento, da prática, e não apenas estética, de Guilhermina.”

Em tempos de acirramento de tensões sociais no Brasil, uma bandeira dança no céu da Pequena África, região portuária do Rio de Janeiro, com as palavras ESCURECER e ATRAVESSAR. Entre as palavras, uma seta preta corta horizontalmente o tecido azul e aponta para o espaço aberto da imaginação.

Uma bandeira é um elemento que comunica à distância, é um recado coletivo, um convite à ação. Os verbos apresentados no infinitivo sugerem movimento, aquilo que move ser, corpo e pensamento. É uma proposição para transformar o mundo a partir de duas premissas que fundamentam a existência da artista.

2022

Caique Cavalcante

Texto curatorial de Atos / Simbologias · MUHCAB · sobre a primeira individual

“Permeada pelo desejo de habitar, fazer do cosmos morada, a artista reivindica a lua enquanto esse ambiente possível para que as vidas negras e atravecadas possam existir em conformidade com seus desejos.”

Dividida em três eixos conceituais — habitar a cidade, habitar a lua e eclosão —, a exposição apresenta a investigação que a artista realiza em torno dos signos das religiões afro-brasileiras e de outras culturas africanas, como os símbolos adinkra dos povos ashanti, que habitaram o território hoje conhecido como Gana.

O contato com essa simbologia se deu, em algum grau, através do trabalho de Rubem Valentim, Abdias Nascimento e Yêdamaria — nomes com os quais Guilhermina tem dialogado frontalmente, coletando formas e cores que fazem parte da pesquisa desses artistas. Nessa exposição impera a obsessão da artista em construir estratégias de exceder criticamente os limites impostos pelas categorias de raça, sexo e gênero.

2021

Denilson Baniwa

Não sou matéria, não sou real e não estou aqui · catálogo da 31ª mostra do Centro Cultural São Paulo · sobre o Escuro Indizível

“O que há de novidade na geração de Guilhermina Augusti é a possibilidade de preencher um imaginário para além do que é palpável, através de um trabalho de antropofagia mutante e urbana.”

Em Tristes Trópicos, Claude Lévi-Strauss nos apresenta duas estratégias para enfrentar a alteridade utilizadas na história humana: a antropoêmia e a antropofagia. Enquanto a antropoêmia procurava a destruição completa do Outro, a antropofagia buscava a destruição ou suspensão de sua alteridade.

A pesquisa da artista caminha a partir da reflexão sobre a construção da história e em como desvinculá-la da imagética colonial. Guilhermina Augusti nos provoca a pensar sobre como fomos perdendo a capacidade imaginativa, conforme a colonização moldava paulatinamente nosso modo de ver o mundo. Ao mesmo tempo, entrega novas maneiras de enxergar a realidade e revela um mundo mutante, que nos leva a espaços sobrepostos de colagens de outros mundos.

II

Entrevistas

Conversas sobre filosofia, cosmologia e processo de trabalho.


2024

ALTER — Revista de Filosofia da PUC-Rio

Nº 18 · outubro de 2024 · por Lucia Dias Costa Barros e Reinan Ramos dos Santos

Uma conversa longa sobre o encontro entre filosofia e artes visuais: a formação em Filosofia, a geometria como pensamento, a herança de Rubem Valentim e Abdias Nascimento, e a construção de um imaginário que não depende da imagética colonial para existir.

Publicada no número 18 da ALTER, revista dos programas de pós-graduação em Filosofia da PUC-Rio, a entrevista percorre o percurso da artista entre o texto e a imagem — e o modo como a pesquisa filosófica se converte em cor, símbolo e matéria.

2023

Prêmio PIPA

Artista indicada · apresentação e vídeo-retrato produzido pela Do Rio Filmes

“Desenvolve trabalhos que discutem questões do corpo dentro de uma perspectiva outra de humanidade, e o corpo material dos objetos integrados à questão da natureza, geometria, simbologia, adinkras e fabulações, buscando a eclosão da racialidade.”

Indicada ao Prêmio PIPA 2023, Guilhermina teve seu trabalho apresentado em um vídeo produzido pela Do Rio Filmes exclusivamente para o prêmio, ao lado do texto de apresentação da artista publicado na plataforma.